Como transportar seu animal para a Espanha?

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Post por Camila Levy, autora do blog Consulado de Ca

Quem tem um bichinho em casa sabe a responsabilidade que é cuidar bem deles, levá-los ao vet, dar comida, banho, levar passear etc e tal. Também sabemos a alegria que é dividir a nossa rotina com um peludo, penudo, escamudo ou qualquer um da sua preferência!

Hoje conto pra vocês como foi a minha experiência de trazer a ilustre Stela, vulgo minha gata linda, pra morar com a gente em Madrid.

stela-a-diva

Primeiramente quero lembrar que este texto foi feito através de uma experiência pessoal, e que já se passaram 3 anos, desde então. Por favor, não deixem de confirmar nos veterinários, sites dos órgãos competentes e linhas aéreas, antes de tomar as providências necessárias.

Quando surgiu a mínima possibilidade da minha mudança pra Madrid, a primeira coisa que busquei no Google foi “importação de gatos Espanha”. Para minha sorte, o veterinário da Stela (Dr. Manoel) já tinha bastante experiência nisso e nos orientou super bem. Deixo abaixo os passos que seguimos pra poder trazer nosso Gato-Bafinho (piada interna).

  • O animal precisa ser microchipado ou tatuado

Pra nossa sorte (1), quando adotamos a Teté, ela já veio microchipada da ONG, só tivemos que atualizar as informações no site do microchip quando chegamos aqui.

Um veterinário pode fazer a microchipagem do animal no seu consultório. Não doi nada e não tem efeitos colaterais – e é uma garantia de segurança se o animal se perde. É só passar por uma maquininha que identifica o número, entrar com os dados numa web, e contatar o dono.

atestado-microchip

Ao contrário do que muita gente pensa, o microchip não tem GPS, e é impossível fazer o tracking do animal perdido… é realmente uma maneira de identificar, nada mais do que isso.

  • Vacinas em dia e exame de sangue/sorologia

A maioria dos países, incluindo a Espanha, solicita a vacinação contra a raiva em dia. E também é necessário fazer um exame de sangue atestando que o animal possui o número mínimo de anticorpos – sorologia. Vamos por partes.

Para nossa sorte (2), a Stela tinha sido vacinada contra a raiva nos dois anos anteriores a viagem – viajamos em 2013 com ela, e ela tinha sido vacinada em 2011 e 2012 também. No caso do animal não ter sido vacinado, o veterinário faz isso também no consultório, e é necessário esperar, no mímino, 40 dias antes de fazer o exame de sangue.

controle-vacina-BR

O custo da vacinação varia muito pra cada local e consultório, então prefiro não colocar um número aqui. Algumas prefeituras fazem campanha de vacinação anti-rábica gratuita ou com baixo custo.

Vacinação em dia, é hora do exame de sangue! O próprio vet fez a coleta do sangue e enviou o material pro Instituto Pasteur. Até onde eu entendo (e pesquisei), é o único local reconhecido pela União Europeia para fazer a contagem dos anticorpos. Algumas pessoas pedem pro veterinário fazer a coleta e enviam a amostra de forma particular – eu preferi deixar tudo na mão da clínica veterinária porque era mais fácil.

Na época, gastei ao redor de R$ 350,00 entre a consulta, coleta e exame de sangue. Mas como comentei, foi tudo feito via clínica. Pode ser mais barato de maneira particular, porém dá mais trabalho, principalmente para quem não mora em São Paulo.

Recebi o resultado do exame na própria clínica e, para nossa sorte (3), a Teté tinha os anticorpos necessários para poder viajar conosco.

atestado-sorologia sorologia-minima1

  • Aguardar 90 dias e reserva da passagem aérea

A partir deste ponto, já sabíamos que ela estava apta para entrar na União Europeia, porém era obrigatório esperar 90 dias antes do animal poder viajar. Quando tivemos certeza da data da viagem e da companhia aérea, entrei em contato direto com eles pra fazer a reserva da passagem aérea da Stela.

Se você não souber com certeza qual a sua companhia aérea, vale a pena entrar no site  de todas elas e verificar se aceitam animais no avião e custos para levar. No meu caso foi bem simples, e a companhia aérea escolhida foi a TAP, que facilitou toda a informação por telefone. A informação está no site deles também.

Pontos importantes:

  • Precisa comprar uma caixa de transporte condizente com o porte do animal e o tamanho que a companhia aérea aceita, seja na cabine ou no porão. O animal precisa ser capaz de ficar em pé e dar a volta nele mesmo dentro da caixa.
  • O animal pode viajar na cabine se o peso dele mais a caixa de transporte for menos de 8 kg. Nesse caso, existe também o tamanho específico da caixinha que dá pra colocar embaixo do assento. E muda de acordo com a companhia aérea.
  • reserva é indispensável em todos os casos, mas no caso de viajar na cabine, algumas companhias aéreas não aceitam mais do que um animal no mesmo trecho. Melhor garantir com antecedência!
  • Algumas companhias aéreas exigem que os animais sejam sedados para viajar no porão ou na cabine, em outros casos, o próprio veterinário indica. Geralmente a companhia aérea tem um vet de plantão no aeroporto para aplicar a sedação e despachar os bichinhos.

Para nossa sorte (4) a Stelinha e a caixinha tinham o peso para viajar com a gente na cabina. Liguei na TAP e fiz a reserva dela por R$ 450,00, que também indicou as dimensões máximas da caixinha, e nós encontramos o modelo perfeito. Custou R$ 180,00 na época, da marca Ibiyaya. Gostamos desse material porque não era tão duro nem tão mole, tinha abertura frontal e lateral, e se precisasse “dar uma amassadinha” pra entrar embaixo do banco, era fácil.

caixinha-aviao

caixinha-aviao2

  • CZI e dias prévios à viagem

Ok! Microchip, vacina, exame de sangue/sorologia, reserva, caixa de transporte… agora só faltava pedir o CZI – Certificado Zoosanitário Internacional para importações de animais – para a União Europeia. Esse documento tem que ser solicitado alguns dias antes da viagem – no nosso caso foram 4 dias – porém não pode ter mais de 10 dias, pois esta é sua data de validade. Se você viaja no dia 17 e chega ao destino no dia 18, o seu CZI tem que estar válido até dia 18 e, portanto, ser datado do dia 8.

czi

Alguns dizem que pode ser solicitado no dia anterior, mas dá medo de não ficar pronto. Para pedir esse documento, precisei ir ao Vigiagro (Vigilância Agropecuária Internacional) no Aeroporto de Viracopos. Levei pra eles: atestado de saúde assinado pelo Dr. Manu; carteira de vacinação em dia; certificado do microchip; bilhete aéreo e o atestado da sorologia.

Solicitei o documento em Português e em Espanhol, pois ia passar pelos dois países. No caso de ir pra outros países, tem que pedir em inglês ou algum outro disponibilizado pelo Vigiagro. No meu caso, lembro de ter voltado ao Vigiagro dois dias depois para retirada dos documentos.

czi-detalhe

  • O dia “D” viajar

Por orientação do próprio vet, nós deixamos de alimentar e de dar água pra Stela 24 horas antes do avião decolar. Isso é pra evitar que o bichinho faça um cocozinho ou vomite dentro da caixinha de transporte. Por precaução, colocamos um protetor higiênico no fundo da caixinha, para evitar sujeiras e acidentes. Tínhamos feito dois testes de sedação com ela, mas que não funcionaram – a Stela ficava grogue e miando mole, e achamos que era muita judiação fazer isso com ela.

Ao chegar na fila do Check-in, nos deram prioridade por estar com ela no colo! Thanks, TAP! A atendente fez cópia de todos os documentos, verificou a nossa reserva e deu luz verde pra gente embarcar. Para passar no Raio X, tivemos que tirar a Teté da caixinha e passar com ela no colo – super legal para uma gata que detesta ser carregada… –  mas era tanta gente ao redor, que ela voltava correndo pra sua caixinha e não abria a boca.

Durante a decolagem e pouso tivemos que colocar a caixinha embaixo do assento, mas durante as horas de vôo ela podia ir no nosso colo, mas sempre dentro da caixinha!! Como ela estava muito curiosa, a gente deixou ela dar uma saidinha básica… Ela cheirou em volta, se certificou que estávamos os dois ali, e voltou pra sua caixinha. Tanto o voo longo de Campinas pra Lisboa, quanto o voo curto, de Lisboa para Madrid, foram muito tranquilos com ela.

Em Portugal fizemos o mesmo esquema de passar com ela no Raio-X, e tivemos prioridade para embarcar. Thanks again, TAP.  Em momento nenhum nos solicitaram a documentação dela, mas estávamos com tudo impresso e nas mãos, se necessário. Alguns países exigem quarentena de animais antes de poder levar eles pra casa, mas não foi o caso da nossa gatinha.

E foi assim que a Stelinha, gata de rua, mãe de 5, se tornou uma cidadã europeia!

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  • Alguns outros comentários finais

Aqui em Madrid a Stela tem sua carteirinha da Comunidade de Madrid assinado pelo novo vet, onde começamos outra vez o controle de vacinação.

carteira-vacina-espanha

Se precisarmos levar ela pra outro lugar, é necessário ter o documento original da sorologia, e do seguimento da vacinação. Se não fizer isso, vai precisar fazer o exame de sangue para a sorologia de novo. Também, antes do embarque, será necessário pedir um documento referente ao CZI daqui da Espanha.

Quando vou ao Brasil não levo a Teté, pois é uma mega burocracia, e uma viagem muito longa pra ela. Aconselho deixar num hotel de animais ou chamar um niñero, ou petsitter. Mas isso é assunto pra outro post 😉

Quem quiser saber mais sobre o assunto, outros sites/blogs que falam sobre levar animais pra fora do Brasil:

Resgatinhos 

Pequenos Monstros

Ducs Amsterdam

O fantástico mundo de Tati

Site da UE sobre trânsito de animais

Camila Levy é brasileira, agrônoma e vive em Madrid. No blog Con Su Lado de Ca, ela compartilha informações a expatriados que querem viver aqui e dicas de boa convivência.

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6 comentários sobre “Como transportar seu animal para a Espanha?

  1. Olá, seu post veio em ótima hora para nós, estamos nos organizando para mudar para Valencia, ES e temos uma gata (Cacau) Me diga, porque depois do exame de sangue tem que esperar 90 dias??? Outra dúvida, puxa vida, tem que deixar de alimentar 24 horas antes da viagem + o tempo de viagem……caramba!!!! tá bom que gatos não bebem tanta água mas 24 horas + 12 horas (pelo menos de tempo de voo) é isso mesmo? Agradeço se tiver mais informações sobre este assunto, te digo que de hoje até a hora que chegarmos em Valencia e poder tirá-la da caixa, alimentar e dar água, estaremos como coração na mão. Grande abraço e felicidades

    1. Olá Duarte! Honestamente, em relação aos 90 dias, pode ser que tenha mudado. Uma amiga está fazendo os trâmites pra trazer as cachorras e disse que ninguém falou isso. Eu não li nada mais a respeito, assim que é bom perguntar pro seu veterinário, porque ele pode te ajudar! Quanto à questão do jejum… vou responder do mesmo jeito que o veterinário me respondeu: Quem sofre mais é o dono!! O gato pode ficar até uns 3 dias sem comer e sem beber, e não perceber tanto isso. Foi por orientação do próprio vet que disse que seria pior se ela passasse mal no vôo ou resolvesse fazer um cocô dentro do avião!! Viajamos desde Piracicaba em carro, fomos de Campinas e fizemos conexão em Portugal No total foram 24 + 14 horas. Quando chegamos em Madrid colocamos um potinho de água e ração e pra ela foi como se nada tivesse acontecido. Ela também fez um xixizinho no avião e outro quando chegou e logo em seguida voltou a sua rotina de dormir – comer – fazer suas necessidades. Não se preocupe quanto a isso!

    2. Oi Duarte! Eu estou viajando pra Madrid e tive sim que fazer a quarentena de 90 dias. Tinha até uma reportagem impressa na vigiagro sobre o Johnny Depp que podia pegar anos de prisão pq ele burlou a quarentena dos cachorros dele!

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