8 razões pelas quais os brasileiros amam Madrid

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Post por Cristina Pacino , autora do blog Aqui se fala Português

Normalmente quando alguém lá de São Paulo vem a Madrid de visita acaba me perguntando há quanto tempo moro aqui. Quando respondo que são doze anos na capital, a seguinte pergunta é “mas você não pensa em voltar?”

Então começo a dizer as razões pelas quais ainda pretendo ficar uma temporadinha por aqui, porque que mais que viver em Madrid, vivo Madrid.

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Mas, o que Madrid tem que apaixona os brasileiros? Aqui vão algumas razões, comparando Madrid a São Paulo:

  1. Uso do transporte público

Se você mora no centro, ou perto de alguma estação de metrô, é muito fácil e cômodo ir ao trabalho, ao cinema, ir a algum show, sair à noite para dançar ou ir aos bares do bairro de Malasaña, Lavapiés ou La Latina. Sabes que pode contar com transporte público, e se calhar até voltar a pé para casa. Se perder o metrô, que fecha à 1h da manhã, existe uma alternativa, um ônibus noturno que se chama búho (coruja), que passa a cada 30 minutos.

O mesmo se aplica ao trabalho. Muita gente vai trabalhar de transporte público. É prático.

Atualmente com as bicicletas alugadas da prefeitura e os carros elétricos (Car2Go) é cada vez menos necessário ter carro.

Lá em São Paulo é possível voltar da balada a pé, se você mora no bairro da balada. Senão, é praticamente impensável, dadas as distâncias entre bairros. Trabalho, idem. Por isso, se usa muito carro e carona.

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  1. Andar e andar

Um dos fenômenos mais impressionantes de se ver pelas ruas do centro de Madrid, seja inverno ou verão, são as ruas cheias de gente, indo e vindo, para casa, do bar, do trabalho… não se sabe bem, mas todo mundo vai contente pela rua, seja a hora que for. Sempre me perguntam se tem alguma festa no pedaço, e respondo risonha que não, que é o normal mesmo.

Em Sampa isso acontece se você estiver numa festa como a da Achiropita, no Bixiga, ou alguma festa junina. No centro velho, na hora do almoço também pode-se ver algo similar. Mas não num domingo à noite.

  1. Fechado? Siesta?

No começo eu não entendia nada, por que razão o comércio – exceto grandes superfícies – fechava entre 14 e 17 horas. Quando o verão chegou, entendi tudinho. A temperatura nesse horário no verão em Madri é tão alta que ninguém se atreve a sair na rua. Só os turistas mesmo. Mas no segundo dia eles já aprenderam que museus e parques são as melhores sacadas para essas horas. Ou, fazer a siesta, que é bom demais. Dica: siesta que se preze dura no máximo 30 minutos.

São Paulo simplesmente não para. Você encontra de tudo 24 horas. Desde um hipermercado até uma academia, passando pelo bar de sanduíche de pernil.

Plaza de Callao preparada para reduzir a incidência solar
Plaza de Callao preparada para reduzir a incidência solar
  1. Comes e bebes

O Brasil tem uma variedade culinária fora de série e a Espanha também. Como se come bem por aqui, não é? As comidinhas e bebidas que me fascinaram desde o princípio e que continuam cativando os brasileiros: jamón (presunto curado), patatas bravas (batatas fritas cortadas grandes com molho picante), huevos rotos (batatinha frita com ovos fritos por cima), tinto de verano (mistura de vinho tinto, casera, gelo), vermut de grifo (há bares onde tem uma torneira do lado do chopp para essa bebida, que sai geladinha), clara con granizado de limón (cerveja com raspadinha de limão), tapas (porções de comida pequenas e grátis de que acompanham as bebidas), raciones (porções normalmente compartilhadas por todos na mesa).

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Que maravilha!

Agora, se aparecer um kibe quentinho, faço uma reavaliação do parágrafo acima.

  1. Filas

Quando você vai ao açougueiro em Madrid você pergunta quem é o último e espera para ser atendido, ou pega a senha. Quando o mesmo acontece em SP, normalmente há senha nos supermercados, mas não nos açougues de mercados ou bairros. Aí acontece um espetáculo digno de um estudo sociológico: todos se organizam em fila, e algumas vezes você pode presenciar desentendimentos sobre a ordem de chegada, por causa de algum espertinho querendo furar fila.

O paulistano é conhecido por “gostar de fila”. Dizem que a gente vê uma fila e já entra e espera, mesmo sem saber pra quê é. Desconfio que seja verdade. ☺

  1. Parques

Em Madrid sempre há gente nos parques, seja sentados fazendo picnic, seja praticando esporte, seja batendo papo.

Não lembro de ver em São Paulo tanta gente aproveitando ao ar livre cada minuto livre como aqui. Será que gostamos de shoppings?

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  1. Sozinho ou em grupo no bar

Em São Paulo é muito raro de se ver uma pessoa sozinha tomando uma cerveja ou um chopp no bar. Aqui é bem comum.

Além disso, senhoras na melhor idade, indo com seus maridos ou suas amigas, tomar uma cerveja antes do almoço e bater um papo com o atendente, é um episódio comum nos bares de bairros.

  1. Entrada grátis

Em qualquer bar à noite no centro de Madri se entra grátis, a menos que tenha show nesse dia. Você pode entrar, tomar uma cerveja, sair e ir a outro lugar.

Em São Paulo você paga para entrar ou tem consumação mínima. E se tem show, funciona como aqui, se paga um couvert artístico.

Ah, já ia esquecendo de dizer, sou paulistana autêntica, nasci na maternidade São Paulo, fechada há alguns anos. AMO minha cidade natal, e igualmente a cidade que vivo atualmente. Vivo Madrid!

E você, o que acha que um brasileiro vai gostar estando em Madrid?

Cris Pacino ensina português e no seu blog usa tecnologia para difundir conhecimento, encurtar distâncias e conectar ideias. Adora pedalar, ir pra praia e bater papo.
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2 comentários sobre “8 razões pelas quais os brasileiros amam Madrid

  1. Olá, gostei do blog, muito legal.
    Queria a opinião de vocês sobre o comportamento dos europeus. Qual a diferença entre franceses, italianos, espanhóis etc? São todos frios como dizem, quais os costumes?

    Bjs

  2. Oi Ana,

    Obrigada por escrever!

    Essa dúvida é bem frequente entre nós, brasileiros. No começo eu também achava que o europeu era frio, porém depois de morar na Europa por mais de 10 anos, acho que a diferença com nós brasileiros, e com a maioria dos países latino-americanos é que os europeus (opinião bem generalizada mesmo) são mais diretos quando querem expressar uma opinião, ou dar uma informação.

    Então, para nós, acaba parecendo que são frios, quando na verdade estão sendo diretos.

    Por exemplo, nós brasileiros batemos papo com desconhecidos até no ponto de ônibus, não é verdade? Os europeus, de vez em quando.

    Nós costumamos contar coisas de caráter pessoal sobre a nossa vida a desconhecidos, e não importa se você vai voltar a ver a pessoa. O europeu, não.

    Acho que é isso aí.

    Um beijo pra você e até a próxima!

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