História por trás das estátuas de Madrid (I)

De metal ou de pedra, no chão, nas praças, no alto dos prédios, seja como e onde for, Madrid tem muitas estátuas. Começando pelo símbolo da cidade, o urso e o “madroño” na Puerta del Sol.

Várias das estátua são equestres, com conquistadores, generais e altos mandos do exército nas praças e avenidas, há também de reis godos e monarcas da Reconquista na Plaza de Oriente, de Cervantes e seus personagens, de escritores na Biblioteca Nacional, de pintores e escultores no Paseo del Prado, de romanos, de anjos e santos…

Este é um capítulo de uma série sobre as curiosidades das “estátuas urbanas” assim chamadas na nossa cidade. Hoje rendemos homenagem a ilustres desconhecidos representados por tais estátuas.

1 – O varredor

No Brasil chamamos de gari, mas a profissão originalmente é varredor.

Quem já passou pela Praça Jacinto Benavente, com certeza viu a estátua do varredor. Sempre tem alguém tirando foto com ele, seja imitando sua postura, seja fazendo de conta que está conversando com ele.

Essa estátua feita em bronze existe desde 2001 e diz-se que o autor, Félix Hernando, se inspirou num gari amigo seu possivelmente chamado Jesús Moreno que varreu as ruas de Madrid de 1953 a 2002, e o uniforme é de corte clássico dos anos 60.

A estátua do varredor foi inaugurada pelo prefeito da época, Álvarez del Manzano, para agradecer os garis pelo seu trabalho tão valioso de manter a nossa Madrid limpa.

Pessoalmente acho esse gari muito simpático. Ele está sempre trabalhando e não conversa com ninguém. Mas, não se iluda, é bem comum ver pessoas passando e tirando fotos com ele, ou até conversando. Quando você passar por ela e reparar bem, vai lembrar deste post…

2 – Julia

Na Calle del Pez veremos uma garota encostada na parede da Escuela Superior de Canto, segurando 2 livros. Parece que ela está fazendo manha, quer continuar andando, mas está com um semblante sério e tranquilo.

Se chama Julia, e foi feita por Antonio Santín, em 2003, inspirado na história de luta e superação da jovem que conta que a meados do século XIX, quando o acesso à universidade era coisa de homens, uma tal Julia frequentou as aulas da Universidade Central, na Calle San Bernardo, disfarçada de homem.

Hoje em dia é como se fosse uma vizinha do bairro, não há quem fique indiferente à sua presença. Sugiro que quando o leitor passar por lá, confira que partes da estátua estão mais claras, obviamente por serem as mais tocadas pelos pedestres.

Madrid . España / Spain .-

3 – Susana, a estudante da pasta

Pertinho da “Julia” fica a que eu sempre chamo “a estudante da pasta”, fica bem na praça de San Ildefonso, na frente da igreja de mesmo nome.

O autor, Rafael González, a batizou de Susana, como sua filha, na época com 9 anos. Susana, a estátua, está em atitude de movimento, e sempre pensei que ela estava indo para a escola. Lendo sobre o assunto descobri que seu autor dava aula da Escuela de Arte La Palma, motivo ainda mais claro pelo que ela está com uma pasta tão grande.

Ela usa calça, bota, um moletom e mochila nas costas. Tem um ar feliz e de que vai fazer algo que gosta. Sempre tive simpatia por ela.

4 – O vizinho curioso

Pois é, este senhor está ali na Calle Mayor, pertinho da atual Almudena, apoiado numa grade, só contemplando uma parte das ruínas da antiga Santa María de la Almudena.

Obra de Salvador Fernández-Oliva, a estátua fica na frente do piso de vidro que cobre os restos arqueológicos da antiga igreja.

Quem passar por ali vê primeiro a estátua, e em seguida vai olhar o que este homem está olhando. O ser humano é curioso por natureza, né? Pensando bem, o vizinho curioso é bem bolado!

O que mais gosto dessa estátua é a pose, muito descontraída, e as marcas no bronze. Onde está mais claro é onde as pessoas costumam pôr a mão…

5- Faroleiro

Obra de Félix Hernando, de 1999, fica na frente da Imprenta municipal, na Calle Concepción Jerónima.

Em português brasileiro, o faroleiro é uma pessoa que conta vantagens. Mas também existiu a figura como em espanhol, da pessoa que ia pelas ruas acendendo e apagando as luzes urbanas de lampiões, que em Madrid eram de azeite de 1765 até 1835, quando foram substituídos por gás.

Até 1970 esse personagem existiu nas ruas de Madrid, e também eram conhecidos como serenos. Levava uma pequena tocha acesa no extremo da lança que vemos na estátua.

Um faroleiro fazendo seu trabalho.

Tributos da cidade aos seus heróis cotidianos, aos cidadãos anônimos que são parte do seu dia a dia.

Cris Pacino ensina português e no seu blog usa tecnologia para difundir conhecimento, encurtar distâncias e conectar ideias. Adora pedalar, ir pra praia e bater papo.

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