Madrid de bike é possível. E muito legal!

Quem anda de metrô em Madrid levanta a mão! E quem anda de bicicleta?

Madrid tem um sistema de transporte maravilhoso! Sim, ma-ra-vi-lho-so! Tem metrô que funciona das 6 da manhã até a 1, todos os dias da semana, tem cercanías (trem metropolitano), tem ônibus que chegam na hora que o painel indica, e já são 3 as empresas de carsharing com carros elétricos: Car2Go, Emov e Zity.

E tem bicicletas a torto e a direito. Hoje vou contar um pouco da minha experiência como ciclista em Madrid.

Uff, ficou cansado/a só de pensar? Fica não, vem comigo que eu conto que é facinho, facinho…

Sou professora autônoma, por isso tenho alunos em várias partes da cidade. Um dia pensei que poderia ir mais rápido aos lugares se fosse de bicicleta, mas com a mountain bike que tinha ia ser difícil. Por exemplo, para ir a uma empresa em Boadilla del Monte não dava certo, porque o metrô tinha restrições de horários para entrar com a bike, e não coincidiam com minha agenda. Então, pensei numa bicicleta dobrável, e depois de pesquisar acabei comprando uma. Estou falando de 2013, quando eu já ia de bike a uma escola 1 vez por semana fazia 2 anos.

Atalho que descobri para evitar ir até o metrô Príncipe Pío. Pego a ciclovia da Casa de Campo, que fica perto de casa, e chego ao metrô Lago, pra chegar a Boadilla. Na empresa lá em Boadilla tem estacionamento de bikes. O passeio pelo parque é uma delícia, vou e volto pelo mesmo caminho. Foto Cris Pacino.

Comprei a bichinha. De alumínio, pesa “só” 12kg… Na primeira semana eu achava que tinha feito a pior compra da minha vida. Não sabia como dobrá-la, levava no braço em vez de usar as rodas para me ajudar, até machuquei as mãos por causa de tanto peso…

Até eu ter a brilhante ideia de ver um tutorial de como dobrar a magrela.

Mas aí, como é que eu ia fazer, chegar suando no trabalho, com uma “pizza embaixo do braço”? E onde ia estacionar uma bike que custou caro? Nem pensar em deixar na rua.

No verão, uso camisetinhas de alcinha, e quando chego às empresas, ponho alguma peça por cima. Assim mato dois coelhos: não morro de calor na rua, e, quando chego ao trabalho, tenho uma blusinha para me “proteger” do ar condicionado.

No inverno não me agasalho muito, porque o corpo inevitavelmente esquenta quando a gente pedala. O que sim é essencial é usar corta-ventos, luvas, proteção para o pescoço e já juntando com o nariz. Pedalar no frio é frio. Mas é uma delícia! Eu a-do-ro! E recomendo. Ah, e claro: lencinho de papel no bolso, porque a coriza corre solta.

Muitas empresas têm estacionamento de bicicletas. Na região da Castellana tem várias empresas onde deixar a magrela, e até tem seguranças que ficam de olho. Um luxo só.

Quando posso entro com a bike na sala de aula. Há várias escolas que permitem, coisa que agradeço!

Quando a gente anda de bike é essencial chamar a atenção: usar cores vivas, capinha na mochila, e se puder, um lenço fosforescente. À noite, tudo isso + luzes. Sempre, sempre usar capacete. Foto Cris Pacino.

Assim fui indo, devagarinho, dia após dia, descobrindo uma coisa ali, outra aqui:

  • Madrid é uma excelente cidade para andar de bike por causa do clima. Exceto no verão (jul/ago) e no inverno extremos (jan/fev), o resto do ano é sossegado.
  • Em Madrid costuma chover pouco, o que ajuda a ser ciclista.
  • Para quem acha que não vai aguentar as ladeiras madrilenhas, aviso: aprender a usar as marchas da bicicleta salva corações!
  • Nas principais avenidas, como a Gran Via ou Bravo Murillo, é primordial deixar os carros passarem e ficar na sua.
  • Na Castellana tem o canteiro central que é perfeito para pedalar.
  • Use SEMPRE capacete e jaleco. SEMPRE. Quem anda de bike precisa ser visto e todo cuidado é pouco.
  • O mesmo se aplica à noite. Luzes, roupas refletoras, chamativas.
Eu e ela, no Metroligero, indo trabalhar. Foto Cris Pacino

Muita gente me pergunta se não é perigoso andar de bike pela cidade. Eu sempre digo que sim e não:

  • Sim porque tem gente que não respeita, buzina e te assusta, ou quer ultrapassar sem manter a distância mínima adequada.
  • Não porque tem muita gente que respeita, e se usarmos o princípio da condução defensiva, a pedalada vai dar certo. O ciclista tem espaço nesta cidade e tem que entender que é frágil diante dos carros e motos, portanto, indo com uma atitude na paz vai ser ótimo para todos.

Já vi gente xingando, e já vi gente parando para me perguntar sobre a bicicleta.

Ela me leva para trabalhar e para passear. O Madrid Río é um excelente lugar para pedalar. Foto Cris Pacino

O que eu mais gosto de andar de bike é:

  • O vento na cara e a sensação de liberdade.
  • Sentir o coração bombando sangue quando paro num farol.
  • O tempo que economizo.
  • As vistas que tenho, que são totalmente diferentes indo a pé ou de outro jeito.
Cerveja com colega, também ciclista. Ela preferiu não fotografar a sua bike, que é uma Brompton passeadeira. Foto Cris Pacino.

Vantagens de andar de bike em Madrid:

  • Ver a cidade sob outra perspectiva.
  • Perder medidas. A gente fica beeem e se sente beeem! 😉
  • Sempre vai ter uma ladeira. Às vezes para subir e, quando é para descer, que alegria!
  • O governo está incentivando cada vez mais o uso de bicicleta na cidade.

Aí, a gente descobre que tem gente que faz campeonato de como dobrar a bike em menos tempo…

Aqui vão os benefícios de andar de bicicleta:

  • Ajuda a eliminar uns quilinhos.
  • A pessoa se mantém em forma fazendo exercícios cardiorrespiratórios.
  • Tranquiliza, pois o ciclista necessita concentração.
  • Melhora a circulação do sangue, e é ótimo para quem trabalha sentado.
  • Ajuda a diminuir o número de carros nas ruas, ou isso esperamos.
  • Contribui com a redução de emissão de gases poluentes.
Uma foto de uma Bicicrítica que eu fui. Era inverno. O ponto de encontro é a pracinha na frente da fonte da Cibeles. Foto Cris Pacino.

Estou pensando nos pontos negativos, mas tirando quando chove e quando fura o pneu, não lembro de mais nenhum. Me ajudem!

Lembrando que a Bicicrítica ainda existe, está ativa e é um movimento forte. Se alguém estiver interessado/a em ir, podemos marcar um dia para irmos juntos. É toda última quinta-feira do mês, às 20h.

Tudo isso do ponto de vista de quem tem bicicleta. Em Madrid existem vários serviços de bikesharing, como o BiciMAD, sobre o qual a Suzana fez um post gostoso de se ler: Como funciona a bicicleta pública de Madrid.

Para saber mais curiosidades sobre a magrela, aqui vão 2 sugestões de post:

  1. Bicicleta: da história à mobilidade urbana sustentável
  2. Pedalando no Brasil

Então, se anima a desbravar Madrid de bike?

Cris Pacino ensina português e no seu blog usa tecnologia para difundir conhecimento, encurtar distâncias e conectar ideias. Adora pedalar, ir pra praia e bater papo.

2 comentários sobre “Madrid de bike é possível. E muito legal!

  1. Cristina,
    você está de parabéns!
    1º por ser adepta ao uso da “magrela”
    2º pelo excelente artigo, maravilhosa suas explicações e a cada parágrafo, dá mais vontade de andar de “bici” em Madrid e pela España toda ! farei isso mais vezes qdo estiver nesta super cidade!!
    até lá,
    Marta

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