Como está sendo o isolamento social em Madrid?

O estado de alarme que levou ao isolamento social obrigatório da Espanha começou oficialmente no dia 14/03, porém algumas das meninas do BLPM já estavam fazendo isso de maneira voluntária.

Muitas de nós nos encontramos no dia 07/03 para uma festa de despedida de solteira, da Susana. Estivemos juntas dentro de uma sala de karaokê privada e podíamos ter nos contaminado este dia. Porém nada aconteceu, por pura sorte.

No dia seguinte, dia 08/03, houve uma manifestação na rua pelo Dia das Mulheres, além de reuniões de partidos políticos, jogo de futebol, e muitas outras aglomerações! Tudo isso pode ter sido um foco de contágio e  muitas de nós estivemos presentes em eventos sociais, fazendo vida normal en la calle!

Mas desde o dia 14/03 só saímos de casa para ir ao médico, à farmácia e ao supermercado! E nada mais…

Depois de quase dois meses de isolamento social obrigatório, o Governo Espanhol começou o que chamou de Fases de Desescalada. A cada uma semana ou duas, dependendo do número de casos e leitos da UTI, cada comunidade autonômica pode fazer uma solicitação ao Governo Central para abrir mais exceções e deixar que as pessoas se movam cada vez mais. E o Governo Central decide se tal cidade ou região pode passar à próxima fase.

Madrid ainda está na Fase 0 (ou fase 0,5 pois abriram algumas exceções aos pequenos comércios). 

Decidi fazer um texto sobre isso no meu blog pessoal, e tive a ideia de trazer a visão de outras pessoas do próprio BLPM ou próximas a nós. E esse foi o resultado da minha pesquisa:

Camila Levy

Eu comecei o isolamento social no dia 12/03. Era uma quinta-feira. No dia anterior fui ao escritório para verificar com a equipe como faríamos a organização dos próximos dias. Trouxe o meu material informático para casa: monitor, teclado, mouse, etc. Pensava que ia durar somente umas semanas… então deixei várias coisas para trás. Depois tive que passar no escritório algumas vezes para pegar gastos de viagem e fazer um relatório de despesas, assinar alguns papéis e enviar algumas amostras.

Minha atividade é considerada “essencial”, pois está conectada com a agricultura. Nosso trabalho não parou, aliás, estamos trabalhando muito! Simplesmente foi alterada a maneira de executar as atividades: muitas reuniões online por chat ou por telefone. Fechamos vários contratos e protocolos de maneira digital. Não pudemos visitar os campos experimentais e tivemos que parar as pesquisas nas universidades. Mas alteramos as atividades práticas por outras teóricas e seguimos! As fábricas estão funcionando com mais rotatividade de horário das pessoas para evitar o contágio.

Minha última viagem antes do isolamento social foi uma viagem profissional a Portugal nos dias 9 e 10 de Março, justo quando fecharam as escolas e universidades em Madrid. Fiquei com medo de não poder voltar, mas deu tudo certo!

Meus sogros vinham nos visitar no fim de março e ficariam 25 dias. Tivemos que cancelar a viagem deles e também a que faríamos na Páscoa – íamos para a Andaluzia. Tinha alguns compromissos pessoais em Portugal também, mas foram todos cancelados e esperamos novas datas!

Acho que muitas pessoas não entendem ainda o motivo do isolamento social. Obviamente é para “baixar a curva” e tentar reduzir o grande número de contágios, e consequentemente, o colapso do sistema de saúde. Não significa que o risco de contágio reduz depois de dois meses… ele segue existindo, porém, com menos velocidade. A grande sacada do isolamento social é dar tempo à ciência e à medicina de desenvolver um tratamento e/ou uma vacina.

Mas como as pessoas não fazem isso “por bem”, precisam fazer “por mal”, o que significa fechar tudo! Para não ter nada pra fazer na rua… o complicado é que assim que alguma barreira é derrubada, as pessoas debandam para as ruas, sem cuidados! É triste de ver…

Sinto MUITA FALTA das minhas viagens profissionais, mas não somente pela viagem em si. Sinto falta das reuniões pessoais, do olho no olho, dos meus companheiros de trabalho nas minhas atividades diárias.

Também sinto falta dos jantares entre amigos e dos cafés na rua. E dos parques… Vou parar de listar as coisas que sinto falta…

Não sinto falta do trânsito!! Nem de ter que almoçar em restaurantes diariamente… minha alimentação melhorou muito!

Durante o confinamento eu estou curtindo fazer Lives no Instagram!! Seja comigo mesma ou acompanhada! Estou gostando muito de cozinhar em casa também, e aprender coisas novas na cozinha.

A primeira coisa que vou vai fazer assim que puder sair será tomar sol no parque e marcar um piquenique com 2 metros de distância entre todos!

Suzana Paquete

O meu isolamento social começou no dia 11 de março, um pouco antes da data oficial.

Meu trabalho não foi muito alterado por conta do isolamento social, porque eu já trabalhava de casa, mas o isolamento me fez perder a vontade de escrever no meu blog e me deixou sem energia, o que não gostei, mas não conseguia mudar.

Minha última viagem antes do isolamento social foi no Ano Novo, pra região da Alsácia, na França.

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Que lindos os canais de Estrasburgo, com o rio ill e essas nuvens completando a paisagem! É muito gostoso passear a esmo, sem buscar nada em concreto e sem ter que entrar em cada lugar turístico marcado no mapa. Deixar-se levar e aproveitar as surpresas do caminho… . . . The canals formed by the ill river, the houses you see along the way and these clouds make Strasbourg a very picturesque city. It’s so great to walk without the intention of visiting every tourist attraction, just wonder the streets and be surprised along the way. . . . #visitstrasbourg #strasbourgfrance #alsacetourisme #alsacefrance #visitealsace #alsacegram #igstrasbourg #petitefrance #petitefrancestrasbourg #estrasburgo #francia🇫🇷 #sourbbv #thatgoodtrip

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Tinha vários compromissos sociais, como aniversários, casamentos, viagens marcadas que tive que cancelar o transporte e hotéis

Acho o isolamento social válido e super importante. É a melhor maneira de não se contagiar e não contagiar as demais pessoas, caso você tenha o vírus latente, que não se manifestou ainda.

Sinto muita falta de sair à rua a hora que quero, fazer planos, tomar café com os amigos, jantar em um lugar diferente para celebrar uma data importante. De poder ir ao mercado sem medo.

Não sinto falta de ter horários fixos e datas para entregar trabalhos. Parece que todos estão na mesma vibe dando um “desconto” nesse quesito.

Nesses dias de confinamento estou curtindo aventurar-me na cozinha (já fiz pão, bolo e várias receitas que as amigas compartilham no Instagram), aprender sobre pinturas, aquarelas e lettering, ver séries e não ter horário.

A primeira coisa que vou fazer assim que puder sair é comer uns churros com cholocate!

Martina Carvalho

Comecei meu isolamento voluntariamente no dia 09/03, depois de um final de semana intenso, de festas, encontros e da manifestação pelo Dia da Mulher. Olhando em retrospectiva, era lógico que todos esses eventos poderiam me colocar em risco, mas naquela época o coronavirús ainda era visto como algo longe da nossa realidade. Infelizmente, foi nesse último final de semana que peguei o vírus.

O isolamento social em si não alterou minha rotina de trabalho, visto que nos últimos anos já trabalho remotamente de casa ou de um coworking. Esse sim fechou na primeira semana de confinamento e ainda não tem previsão para reabrir.

Por outro lado, já nas primeiras semanas senti o impacto econômico com a chegada do vírus no Brasil. Como trabalho com Talent Acquisition, a maior parte dos meus clientes congelou os projetos que estávamos conduzindo, para avaliar com maior cautela os próximos passos da empresa, antes de contratar novos profissionais.

Minha última viagem foi para Córdoba, no sul da Espanha e foi uma das melhores viagens por aqui. Fui com um grupo de amigos, era carnaval e aproveitamos cada segundo nessa cidade que é cheia de vida e história.

Quase todos meus planos pessoais foram alterados por conta do isolamento social. Voltei para Madrid em fevereiro, para finalizar o trâmite da nacionalidade e logo poder viajar livremente por aí. Meu plano para 2020 era viver em várias cidades da Europa, levando meu trabalho na mochila e conhecendo pessoas de todo o mundo!

Bom, nem sempre as coisas acontecem como planejamos. Quem sabe esse não é um sinal para reviver Madrid de uma nova perspectiva? Tampouco é um plano que me desanima, muito pelo contrário 🙂

Na minha opinião, o isolamento social é fundamental, necessário e livre de qualquer tipo de questionamento.

Logo que fui diagnosticada com Covid-19, tive que ir ao hospital algumas vezes, justo quando estávamos no pico da curva aqui na Espanha. O que vi por lá foi uma cena de guerra e realmente não desejo que ninguém passe pela situação que vi alguns pacientes passando.

Sem dúvida alguma, sinto muita falta do toque humano. Sou muito de abraçar, de beijar e tocar as pessoas. Com o confinamento e vivendo sozinha, isso se torna impossível. Não que eu não sinta falta da minha liberdade, dos encontros, das ruas cheias de vida, mas tudo isso é contornável, agora o toque é algo que ainda não pode ser virtual.

Não pensei em nada específico que não sinta falta, gostava de tudo que vivia antes por aqui. Mas se é para ressaltar algo, diria que a poluição de Madrid, tanto a sonora, como no ar, não faz a menor falta. Nesses dias confinada, já sinto o  ar mais limpo e escuto os passarinhos todos os dias de manhã na minha janela, em pleno centro da cidade.

No começo do confinamento, enchi minha rotina de atividades legais: li muito, estudei, fiz muito exercício em casa, fiz yoga, meditação, vi filmes e séries, promovi vários encontros virtuais… Com o passar dos dias fui ficando um pouco cansada de tudo isso. E agora, depois de dois meses, confesso que estou curtindo mais uma lazy quarentine. Basicamente aproveito o intervalo da manhã para correr e sempre que posso pego um sol na terraça.

Assim que puder sair, tenho muita vontade de viajar para um lugar com muita natureza, talvez uma montanha, uma praia, enfim, poder andar com os pés no chão e me reabastecer de energia.

Em Madrid, quero reencontrar meus amigos, fazer um piquenique, sair de bar em bar. Enfim, viver a “nova normalidade” em todas as suas possibilidades.

Cris Pacino

Comecei o isolamento social na sexta-feira, 13 de março. Tive que ir trabalhar nesse dia cedinho, e de tarde já prometi a mim mesma que só sairia de novo quando a situação estivesse mais clara.

Sobre a alteração do meu trabalho por conta do isolamento social, diria que alterou sim, mas também não. Não, porque sou professora de espanhol e português e dou aulas usando o Skype/Zoom e tenho um curso online, e sim porque tinha uma aula presencial, às sextas, e essa empresa não tem previsão de voltar à atividade. Também vários alunos tiveram sua rotina alterada, por exemplo, tenho alunos do setor de logística e de investimentos financeiros, que estão trabalhando mais do que nunca, e precisaram cancelar as aulas.

E também o meu curso online foi diretamente afetado, pois houve menos vendas nesta edição e tenho a nítida impressão de que a incerteza do futuro fez com que muitas pessoas não investissem no curso.

Minha última viagem antes do isolamento social foi a trabalho, para Lisboa. Fui à CILPE (Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola) em novembro.

Tinha uma viagem a Portugal marcada para o casamento de uma amiga nossa em comum, ia aproveitar para visitar a minha família na Galícia, mas agora estamos nos falando por vídeo. Além das férias de verão, eu estava já decidida a ir ao Brasil. Quatro anos sem ir, ia sendo hora. Pelo andar da carruagem vai ter que esperar ainda um bom tempo.

Acho “isolamento social” um nome equivocado. Estamos muito mais próximos socialmente, nos comunicamos mais com nossos familiares e amigos do que antes do confinamento, inclusive por vídeo.  O que estamos é num isolamento, mais até, distanciamento físico. Sobre essa distância física, acho estritamente necessária, e me dá um pouco de medo daquelas pessoas que não têm noção de distância. Por isso tenho saído com muito cuidado quando vou andar um pouco.

Sinto muita falta de me encontrar com minhas amigas para tomar um café, uma cerveja. Eu fazia isso mínimo uma vez por semana.

Estou curtindo dormir até um pouco mais tarde. E cozinhar. Tenho cozinhado muito mais do que já costumava.

Assim que puder sair vou pegar minha mochila, colocar um sanduba e um Aquarius dentro, pegar a minha bicicleta e sair por aí! Nossa, que vontade de andar de bicicleta na Casa de Campo! Moro do lado e não posso nem caminhar por lá! Mas não me preocupo por isso, prefiro que estejamos mais seguros e quando der, iremos. Ela vai continuar lá.

Manaira Araujo

Comecei o isolamento social uma semana antes de que fosse oficial.

Meu contrato de trabalho atual foi cancelado e não temos previsão de voltar… Estou procurando algo temporário neste momento.

Antes do isolamento social estive no Porto em fevereiro. Foi minha última viagem.

Na Semana Santa íamos de férias para o Brasil, os destinos eram Rio de Janeiro, Paraty e Belo Horizonte, minha cidade natal.

Acho que o isolamento é a melhor forma de diminuir os contágios, a situação é muito séria em todo o mundo.

Estou curtindo estar em casa, mas a falta de liberdade de sair para ir em qualquer lugar, ver amigos, família, fazer manicure…

Não sinto falta de andar de metrô e do trânsito de Madrid.

Estou curtindo passar mais tempo com meu marido, já que nossos horários sempre foram muito diferentes. Agora podemos fazer coisas bem simples juntos, como almoçar e jantar.

Isabela Quintes

(A Isa vive em Barcelona!)

Meu confinamento começou uma semana antes da data oficial. Danilo, meu marido, já estava fazendo home office e voluntariamente decidimos que era melhor ficarmos em casa.

Eu já trabalho em casa, então continuei fazendo o que sempre faço, talvez até mais, já que não podia sair. Por outro lado, as lojas físicas que vendem meu trabalho tiveram que fechar, e mais de dois meses sem abrir acaba prejudicando todo mundo.

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Minha última viagem antes do isolamento social foi para Paris, no comecinho do ano. E nem ouvimos falar sobre coronavírus essa época por lá.

Tive muitos planos pessoais alterados por conta do isolamento social. Muitos! Eu daria algumas aulas presenciais de aquarela em Barcelona, participaria de uma feira de criadores e artistas independentes e depois disso receberia meus pais de férias aqui em casa. Viajaríamos por um mês pela Espanha, Portugal e França. Tudo já comprado também, e tivemos que cancelar.

Na minha opinião, o isolamento social é completamente necessário. Acredito que não há questionamentos sobre isso, já que a gente viu na prática que funciona.

Sinto muita falta de sair pra tomar um café, ver os amigos, conversar pessoalmente com as pessoas, passear de bicicleta… e quando estávamos em completo isolamento eu sentia falta de ir à praia só para ver o mar e sentir o Sol na cara.

Não sinto falta da muvuca na rua e do barulho de carros e pessoas. Eu gosto da calmaria

Sem contar meu trabalho que, felizmente, eu gosto muito e faço muito! Eu sou muito caseira, então estou curtindo poder ver minhas séries, ler meus livros tranquilamente… é ótimo!

Assim que puder sair quero ver meus amigos, com certeza. E tomar um cafezinho na cafeteria perto de casa!

 

Contem aqui nos comentários: como está sendo seu isolamento/distanciamento social?

Um comentário sobre “Como está sendo o isolamento social em Madrid?

  1. Eu passei o carnaval em São Paulo com a família, cheguei em Madrid no dia 06 de março. Desde o dia 11 meu marido e eu estamos em casa quando as escolas e universidades foram fechadas. Desde então estamos dividindo os espaços de trabalho em uma casa pequena, o que é muito normal na Espanha. Com o tempo, alguns ajustes e fones de ouvido tudo fica mais fácil e a rotina de ficar em casa entra nos eixos.
    Nesse período deixamos de viajar na semana santa, de comemorar o primeiro aniversário do Alvarito e o casamento amigos queridos. Talvez isso é o que mais se sente falta: de estar com os seus para celebrar os pequenos momentos e os grandes eventos da vida.
    Para mim, o isolamento social é necessário para evitar o colapso maior do sistema de saúde. Segundo os últimos dados, o confinamento evitou a morte de 300 mil pessoas na Espanha. É muito triste pensar em tudo que já aconteceu, mas parece que podemos dizer que o pior já passou.
    A primeira coisa que vou fazer é ir caminhando da minha casa até o centro de Madrid para tomar uma caña. Quem quer vir junto?

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