Museu Cerralbo

Era uma vez um senhor bem-nascido, que herdou uma fortuna, foi bem-sucedido nos negócios e ficou mais rico ainda.

De família nobre, estudou nos melhores colégios do seu tempo, cursou Direito, mas também Filosofia. Desenhava, pintava e fazia poemas. Nas horas vagas, ainda militava pela causa de Dom Carlos, o pretendente carlista ao trono espanhol.

Chegado o momento, resolveu casar-se com a mãe de um colega da faculdade! Isso mesmo: ele tinha 26 e a noiva tinha 55 anos! Inclusive, trazia dois filhos do primeiro casamento.

Juntos percorreram toda a Europa, visitando museus, antiquários e comprando peças que foram acumulando até se tornarem uma das melhores coleções de arte do momento.

Entre uma comprinha e outra, projetou o seu palacete, junto a três arquitetos e ainda desenhou o jardim. Em 1893, a casa estava pronta e funcionava como residência e museu.

Não estou inventando nenhum romance e nem história rocambolesca. O rapaz em questão chamava-se Enrique de Aguilera y Gamboa (1845-1922), XVII marquês de Cerralbo. Tinha dinheiro, bom gosto e foi um dos mais importantes mecenas do século XIX na Espanha.

Detalhes da penteadeira da Marquesa de Cerralbo.

A casa foi remodelada, passou por restaurações, mas está tal e qual a deixou o marquês. Aberta ao público em 13 de dezembro de 2010, podemos apreciar a coleção de arte do marquês que incluem armaduras medievais, os mais de 70 relógios que soam de hora em hora, quadros e móveis.

Mas se você não aguenta visitar museus, ao menos, preste atenção na casa. Edificada como um palacete italiano, a morada tinha todos os elementos obrigatórios para a casa de um ricaço do século XIX: escadaria de mármore, salão de baile, sala chinesa, sala de bilhar, biblioteca com sete mil volumes e os aposentos privados do marquês e sua senhora.  Tudo isso decorado com o melhor e mais moderno que o dinheirinho do nobre senhor poderia adquirir.

O marquês ainda patrocinaria mais 100 escavações nas províncias espanholas de Soria, Guadalajara e Zaragoza. Com isso, ele foi aceito como membro da Real Academia de História, em 1908.

A marquesa morreu em 1896, e o enteado, quatro anos depois. Sem herdeiro, o marquês deixou a casa-museu à Espanha, com a condição de que a coleção contida no seu interior não fosse separada. Dito e feito. Agora, está aberto ao público e é um dos museus mais interessantes da cidade. Obrigada, Senhor Marquês!

Museu Cerralbo

Onde? Calle Ventura Rodríguez, 17. Metrô: Ventura Rodríguez (L3), Plaza de España (L3 e L10), Noviciado (L2) e Príncipe Pío (L6 e L10)

Horário:

De terça a a sábado de 9:30 às 15:00 horas.
Domingos e feriados de 10:00 a 15:00 horas.
Quinta, abertura extraordinária (exceto feriados), de 17h às 20h.

Quanto? 3 euros. Reduzida: 1,50

Gratuito: sábados a partir das 14h e todos os domingos. Quinta, de 17h às 20h.

juliana bezerra

Juliana Bezerra é historiadora com pós-graduação em Relações Internacionais e História Contemporânea. No blog Rumo a Madrid, ela mostra Madrid através da arte e dos artistas.

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