Palácio Cibeles – Sede do EEBB em Madrid

Não faz muito tempo, mas as pessoas mandavam cartas umas para as outras. Alguém se lembra disso? Era preciso escrever, colocar a carta no correio e esperar a resposta! Hoje isso parece um tempo tão remoto diante das redes sociais e aplicativos, que esquecemos que não faz nem três décadas desse costume.

Pois na virada do século XIX para o XX, o volume de correspondência na Espanha era enorme, e o telégrafo encurtou as distâncias. Pensando em modernizar a cidade, as autoridades madrilenhas decidiram erguer um edifício que reunisse os três serviços de comunicação em voga: os correios, os telégrafos e o telefone.

Através de um concurso público, em 1904, é escolhido o projeto de Antonio Palacios e Joaquim Otamandi. A construção era em estilo eclético e historicista, em outras palavras, uma releitura das correntes artísticas do passado como o gótico. A construção foi marcada por problemas econômicos devido à Primeira Guerra Mundial, que fizeram a obra demorar por mais de dez anos.

O edifício era grandioso e, como lembrava uma catedral, foi apelidado pelos contemporâneos de Palácio de Nossa Senhora das Comunicações. No entanto, por causa da proximidade com a estátua da deusa Cibeles, ganhou o nome de Palácio Cibeles.

A fachada em pedra branca é decorada com bustos que exaltam os deuses de várias mitologias, além de pináculos, flores e folhas. Ainda hoje, seguindo a calçada do Paseo del Prado, estão as diferentes caixas de correio onde o cidadão poderia selar a sua carta e depositá-la ali, escolhendo entre “Províncias”, “Capital”, etc. No centro existe uma torre (claro) e nesta um relógio (óbvio) de onde partiriam os cabos dos telégrafos, algo que não foi concretizado. 

No interior, se podem ver as antigas mesas onde os clientes escreviam suas últimas palavras nas cartas antes de despachá-las. Hoje funcionam como terminais de informação turística em vários idiomas.

No teto, vitrais ornamentados com motivos florais, como era a moda naqueles tempos. Nas laterais e interseções das colunas temos os escudos das várias comunidades autônomas da Espanha, bem como a águia de duas cabeças, símbolo da monarquia de Carlos V.

Atualmente, funciona como centro cultural, municipal e se denomina CentroCentro. Deste modo, o edifício foi adaptado para abrigar exposições, elevadores, cafeteria.

E lá do alto do palácio, a torre foi transformada num mirante com uma das vistas mais bonitas de Madrid. Não recomendo a cafeteria porque os preços, literalmente, estão nas alturas.

CentroCentro tem um atrativo a mais para os turistas de todos os bolsos: wifi grátis, imprensa nacional e estrangeira à disposição, sofá e mesa com cadeiras. Com tantos adjetivos vale  a pena entrar e ficar à vontade.

CentroCentro é parceiro do Encontro Europeu de Blogueiros Brasileiros 2018, e sede onde será realizado o encontro.

juliana bezerra

Juliana Bezerra é historiadora com pós-graduação em Relações Internacionais e História Contemporânea. No blog Rumo a Madrid, ela mostra Madrid através da arte e dos artistas.

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